
Na tarde desta quinta, dia 15, foram retomados os trabalhos da Oficina de produção musical em software livre (colocar link do texto “Oficina e prodção musical em software livre”). Na introdução desta segunda parte, Jovem Palerosi discorreu sobre a historia do samplers e mash ups para chegar ao tema de musica livre. Também foi falado sobre Creative Commons e indicados os sites de musica livre ccmix.org, jamendo, o brasileiro overmixter, que esta desatualizado mas ainda ativo, e o freesound.org.
Isto posto, partiu-se para a parte pratica. A turma decidiu-se por fazer uma vinheta para webradio. A concepção da vinheta foi através de brainstorming. Decidiu-se trabalhar com o programa Audacity, por sua simplicidade e possibilidade de ser baixado para Windows também.
Foi muito bacana ver como os vários integrantes da turma se revezaram no controle do computador usado para a oficina. Houve ate quem pusesse seu próprio notebook para baixar o programa na hora mesmo, para familiarizar-se.
Efeito sonoro e fundo musical escolhidoe e baixados. Cortes, edicõs, gravção de locução, tudo feito coletivamente. Acerto de volumes, normalização da onda sonora, pronto! Temos uma vinheta coletiva produzida em software livre com sons baixados de sites de musica livre e, para coroar, publicado numa biblioteca livre chamada archive.org.
De fato, uma bela oficina!
No sexto dia do IV Congresso Fora do Eixo, aconteceram dezenas de reuniões internas das regionais FDE. O fortalecimento do Centro Multimídia, frente responsável pela comunicação da rede, foi pauta constante, em especial na mini-conferência realizada com a presença de Bruno Torturra, Claudio Prado e Alex Antunes.
Hoje também foi o dia do I Congresso Nacional do Partido da Cultura. No final, uma grande reunião com todas as regionais com o intuito de estabelecer novas Casas Fora do Eixo pelo país e também da contextualização para todos os congressitas acerca do surgimento das Casas FDE. Pablo Capilé explicou que trata-se de uma radicalização, trazendo para a prática cotidiana todos os princípios adotados pelos agentes. Em paralelo a isso, é a sistematização radical de uma rede de ações políticas, sociais e culturais, e o estabelecimento de pontos de produção cultural, que é a base do movimento. Em 2012 novas casas serão abertas.
Gestores das regionais Norte, Nordeste, Sul e Sudeste colocaram em pauta alguns dos conceitos a serem estabelecidos em cada espaço, uma vez que cada um destes espaços vão se configurar de acordo com o contexto local, considerando a necessidades e obviamente as estratégias macro do processo. Na Casa FDE Brasilia, por exemplo, o foco será a luta de valores do FDE, uma espécie de sede do Partido da Cultura, e também o desafio de se tornar um espaço cultural como a Casa FDE São Paulo, é o que explica Leonardo Barbosa que vive na capital nacional há seis meses.
Já Marielle Ramires, uma das co-fundadoras do Fora do Eixo, ressaltou que o Congresso é o momento de mapear novos estímulos, uma vez que o desafio de se colocar na prática cotidiana todo o discurso defendido pelo coletivo é imensa, e que para ela representa um avanço histórico, com tecnologia de ponta. Vários dos moradores da Casa FDE São Paulo fizeram um pequeno relato de como tem sido este meses de 2011 morando e por conseguinte vivenciando todo o laboratório da rede. Um destaque foram os depoimentos das #FEminina,s Carol Tokuyo de São Carlos (SP), gestora da UniFdE, Bianca Lima, da Distro de Uberlândia (MG), e Laura Morgado de Recife (PE), designer do Centro Multimídia.
Carol ressaltou que trata-se de um momento de grande aprendizado e ressignificação das pessoas enquanto ser humano, uma vez que a generosidade e a sensibilidade são essenciais em um trabalho coletivo. Já Bianca que mora há quatro meses na Casa FDE SP, considera que trata-se de uma opção de momento de sair da zona de conforto e se tornar um guerrilheiro. Laura, que passou parte da sua gestação no momento em que a Casa FDE se estabelecia em São Paulo, comparou os dois processos (gestação e FDE), como coisas semelhantes, dado que o surgimento de novas vidas vão se dando ao longo das vivências. O momento é de reflexão e planejamento, mas principalmente de avaliação sempre visando a flexibilidade das relações internas e externas.
Texto: Fernanda Quevedo
Em meio à não-grade do IV Congresso Fora do Eixo, um dos temas debatidos que fazem parte da cultura e da organização atual da sociedade foi a economia solidária.
Com a presença de alguns observadores envolvidos com o tema, a discussão, ou melhor, a conversa infinita do momento perpassou a vivência da economia solidária dentro da Rede Fora do Eixo e, mais que isso, abrangeu o tema de forma geral. Possibilitou uma reflexão sobre as realidades já construídas, baseadas no conceito já em voga da diferente valorização do trabalho e as possibilidades de trocas existentes.
Além disso, o que fica como marca permanente da reunião aberta sobre economia solidária, é a necessidade de ressignificação das relações e dos padrões de valores, para que cada ação e aplicação de um novo conceito e percepção do trabalho e das relações entre as pessoas possa ser vivido aumentando a felicidade de cada indivíduo.
Por Leo Lina
Na continuidade das reuniões durante o dia ficou decidido que o PCULT irá reescrever sua Carta de Princípios, agora com a participação de todos os movimentos que participaram das discussões dos últimos dias. O foco serão as diretrizes básicas para as pautas da cultura nas eleições 2012. Também será pensada uma agenda comum para o ano que se inicia.
Cada vez mais é chegado o momento da sociedade se entender como a espinha dorsal do processo político e entrar na disputa por essa “disputa de poder”. Não o poder senso comum do vocábulo “política”, mas sim o poder de transformar a sua realidade, e atingir terceiros que também venham trazer seus anseios. Ascendendo ao “nível” dos políticos, fazendo-os “descer até aqui na praça” e encarando-nos nos olhos. A carreira política como profissão e meio de enriquecimento está com os anos contados. Viva pra ver.
Por Ney Hugo, Macaco Bong.
Microfone aberto. A plenária final do IV Congresso Fora do Eixo selou a proposta de um programa livre e aberto de debates, provocando mais dissensos do que explicações corretas sobre o Fora do Eixo e os temas que o evento colocou em pauta. Fazendo história, o Fora do Eixo consolida uma nova forma de fazer política, de difundir a arte, de trocar, dialogar, de ver o mundo.
A sugestão era que cada congressista se apossasse do microfone, durante todo o tempo permitido para a utilização do Paço das Artes, e fizesse sua própria plenária. Cada fala pronunciada deveria complementar as anteriores, sem repeti-las, formando um discurso uno, porém plural e fragmentado, sobre toda a força de ações realizadas durante o congresso.
A escuta de cada depoimento reverberava no pensamento de cada congressista num processo de autoavaliação, como se enxergássemos a nós mesmos a partir da fala do outro. O resultado não poderia ser outro, pois num clima antecipado de despedidas, a palavra-chave daquela noite de sábado foi emoção.
Tal como na plenária de abertura, este final de evento e o microfone aberto provocaram uma ressignificação dos espaços democráticos e libertaram algumas ansiedades enrustidas pelo ato da fala, do posicionamento. De forma livre, cada pronunciamento refletiu a complexidade e a sorte de questões que foram colocadas nas rodas de debates e como cada qual se sentiu em relação a cada um dos assuntos.
Em vez de deliberar por resultados e conclusões, o congresso se fez nisso: puro caos. A não ser, talvez, pela decisão da próxima edição no Rio de Janeiro, nada pôde ser muito bem concluído e não havia plenária que pudesse somar num único fim todas as pautas que foram levantadas – entre elas, a nova música brasileira, a desescolarização, as redes das redes, os festivais, a economia da cultura, questões de gênero e por aí vai.
Todos os assuntos e os sentimentos que vieram à tona naquela noite indicam um porvir que se constrói no próprio presente. Isto, sim, foi ficando claro a todos que faziam parte dessa imensa empreitada. Cada congressista se sentia fazendo parte de um momento histórico do Brasil, uma “pós-Semana de Arte Moderna”, nas palavras de Talles Lopes. As emoções possivelmente floresciam porque, assim como a criança Maitê, a última da plenária, o futuro do Fora do Eixo mostra-se vivo e já em efervescência.
Por Clayton Nobre
Construção das articulações deste ano, a consolidação da Regional RJ/ES se concretiza nas reuniões livres de #ConversasInfinitas durante o IV Congresso Fora do Eixo. A ponte capixaba-fluminense aconteceu de forma natural, através de uma relação histórica-cultural-geográfica entre os estados que gerou (e gera) uma aproximação entre os agentes e os hábitos de consumo de cultura de ambos os estados. Nesse sentido, a formação da Regional começa no laboratório de vivências entre os agentes, compartilhando experiências que puderam nos fazer entender as dificuldades e facilidades de atuação de cada coletivo para entender as potencialidades da regional.
As discussões do encontro começam na articulação política do audiovisual entre estados – a vocação cineclubista de ambas as cenas como ferramenta de formação e democratização da cultura –, passeiam pela possibilidade de fomentar as artes integradas como principal experiência compartilhada e desembocam na necessidade de interiorização das ações de mobilização. Tanto no Rio de Janeiro quanto no Espírito Santo, ficou evidente que, para conseguir realizar um circuito eficiente entre é preciso contaminar mais coletivos nas cidades interioranas e promover a descentralização produtiva e midiática que se fortalece nas capitais.
Cidadela, Ponte Plural, FDE-ES, Instituto TamoJunto, SESC Tijuca, Incubadora de Economia Solidária da UFES e Serra Elétrica são alguns dos coletivos/agentes que articulam as inúmeras #IdeiasPerigosas para atingir a organicidade da regional. O poder de conhecer a realidade dos pontos de articulação nos faz entender também os campos de disputa que estão se formando em todas as frentes e, com isso, fortalecer a idéia de que o trânsito capixaba-fluminense pode (e deve) ser cada vez mais fluído. A frente da Música é a ferramenta que abre caminhos e prepara o campo para trabalhar as artes integradas, o Clube de Cinema, a FEL, etc e propor a mescla das cenas, além de ressignificar o papel dos coletivos da regional dentro do macro das ações do Fora do Eixo.
Por Carolina Ruas
I Congresso Nacional do Partido da Cultura reúne centenas de pessoas de diversos movimentos culturais
Depois de vivenciar oito anos de intensos avanços na política cultural do país durante a gestão Gilberto Gil e Juca Ferreira, em 2011 os movimentos culturais do Brasil tiveram de enfrentar diversas dificuldades e empecilhos para promover o desenvolvimento do setor com a nova gestão do Ministério da Cultura. Editais não foram realizados, repasses de verbas foram atrasados e políticas culturais essenciais para a cultura do país ficaram ameaçadas com a nova postura adotada pela pasta. O que poderia se tornar um desastre para o desenvolvimento da cultura, no entanto, acabou fornecendo combustível para que diversos agentes e movimentos se unissem e se organizassem em torno de um projeto de desenvolvimento para o pais, no qual a cultura ocupa um lugar de destaque.
Durante o Congresso do Partido da Cultura, realizado nessa sexta, dia 16, em São Paulo, centenas desses agentes e movimentos culturais se reuniram para discutir os problemas enfrentados durante o ano, sugerir propostas e traçar estratégias para fomentar o desenvolvimento cultural do país em 2012. Nas mesas de discussão estavam a Deputada Federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que enfatizou a impossibilidade de se discutir o desenvolvimento econômico do Brasil sem pensar a cultura. A deputada também lembrou do retrocesso com a diminuição do orçamento do Ministério da Cultura para 0,08 do orçamento federal. Célio Turino, criador do Programa Cultura Viva durante a gestão Gil, reforçou o discurso da deputada apontando a necessidade de se refletir sobre o padrão de desenvolvimento que queremos para o Brasil e de se rediscutir o sentido da democracia em que as pessoas podem se apresentar como sujeitos no processo. Ao perguntar quem da platéia com cerca de 300 pessoas era filiado a algum partido, ficou claro a autonomia do movimento, quando menos de 10 pessoas levantaram a mão.
Depois de uma pausa para o almoço o Congresso continuou durante a tarde com convidados como Nilmário Miranda, Presidente da Fundação Perseu Abramo e ex-Ministro da Secretaria Geral de Direitos Humanos, que reforçou a necessidade da cultura para se mudar o Brasil. Alfredo Manevy, ex-secretário executivo do Ministério da Cultura e atual professor da Universidade Federal de Santa Catarina, que cobrou uma radicalização do processo democrático e a continuidade de políticas culturais que garantam essa democratização. “Apesar do avanço nas políticas culturais nos oito anos de governo Lula elas ainda precisam continuar se fortalecendo”, afirmou enquanto também reforçava a importância da agenda ampliada com a qual o Fora do Eixo trabalha dentro desse processo.
Pablo Capilé, gestor do Fora do Eixo, apontou a importância do nivelamento de informação e conhecimento entre os movimentos sociais para se promover a democratização no setor cultural e reforçou o fortalecimento e crescimento das redes em 2011. “A gente conseguiu criar oportunidade em cima da dificuldade”, afirmou. Da mesma opinião era Alexandre Santini, Movimento Pontos de Cultura, que afirmou que “2011 foi o ano perdido em que a gente se encontrou”.
No sábado, dia 17, a rede irá encaminhar uma carta de propostas baseadas em todas as discussões realizadas durante o ano e itensificadas durante o Congresso Fora do Eixo
Leonardo Santiago
Banda Vandaluz no IV Congresso Fora do Eixo
Findando mais um dia de Congresso no Paço das Artes o Festival Fora do Eixo dessa vez invadiu o espaço de plenárias e reuniões, o Paço das Artes. Com o início da atividade do VJ Imporvídeo (PA) o espaço se transformou em um grande palco para as bandas Vandaluz e Bandinha de Dá Dó.
A banda mineira Vandaluz subiu ao palco com o vocalista de macacão laranja florescente e o guitarrista vestido com saia. Passado o primeiro impacto as músicas fortes com letras engajadas mostraram mais um diferencial da banda. E foi com o gingado brasileiro que a banda carrega, que eles animaram a galera arrancando danças e aplausos a cada término de música. Um show intercalado entre vídeos, músicas e performances.

Um intervalo comandado pelo DJ Big Bross não deixou os ânimos abaixarem, pelo contrário, o público continuou dançando até o início do espetáculo da Bandinha de Dá Dó. E digo espetáculo porque os músicos já subiram ao palco com figurino completo, digno de uma banda de palhaços. A animação e performance da banda chamou a atenção do público, cirandas foram formadas e em todos os lados era possível ver um contagiado pelo som e pela energia vinda do palco. Dar dó? Só daqueles que não puderam presenciar esse momento.
Uma verdadeira catarse foi instaurada no Paço das Artes, congressistas de todo país fizeram da noite de sexta o momento de confraternização e comemoração de uma semana tão intensa e especial.
Todos voltaram para casa com a alma lavada. Um dia de show e muita animação que certamente deixou todos que conviveram por uma semana ainda mais próximos.